sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Três parábolas de Jesus (Lc 15)

Por: Francisco Printes


“A ovelha perdida (Lc 4-7); A moeda perdida (Lc 8-10); O filho perdido (Lc 11-32).” 

Jesus usou três coisas distintas nessas parábolas: uma ovelha (animal), uma  dracma (moeda) e, um filho (pessoa).

A ovelha, uma criatura sem inteligência, porém valia mais do que se imaginava,  a moeda, um objeto sem vida, mas tinha grande importância aos olhos da sua possuidora e, o filho, que desprezara o pai, descobriu que era amado sem merecer. 

Na condição da ovelha estamos todos perdidos por nossa própria ação, na moeda somos sem vida espiritual por natureza, e que, por natureza, somos “mortos em delitos e pecados” e, por último, no filho perdido, que estamos perdidos por escolha. Estas três parábolas tem ligação para mostrar ao homem sua condição diante de Deus, pois, na primeira parábola lembramos a miséria do perdido, na segunda, sua insensibilidade e, na terceira, o remorso.

Para o resgate do perdido vemos mais um motivo para ser, esta passagem, dividida em três partes, é para revelar a Triunidade de Deus. Na primeira parte o Filho redime, na segunda, o Espírito opera e restaura e, na terceira, o Pai recebe.

Além disso, Jesus quer nos ensinar que não é preciso perdemos algo para lembrarmos seu valor e, mostrar a seu amor para com os pecadores, a alma perdida.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Dos Anabatistas aos Batistas Regulres


1 O surgimento dos Anabatistas
Desde os tempos apostólicos houve aqueles que tiveram a Bíblia como sua autoridade, ainda que não fossem chamados batistas, e nem mesmo poderiam concordar com tudo que eles criam e praticavam. Mas o princípio básico da Bíblia como autoridade pertencia a eles como pertence a nós. Por isso, temo-los na conta de nossos antecessores espirituais.
Esses pequenos grupos de cristãos que guardavam a doutrina dos apóstolos não aceitavam os dogmas da igreja oficial, por isso, eram perseguidos pela Igreja Romana, dentre esses grupos podemos destacar: os Montanistas (século II ao século VIII), os Novacianos (século III ao século VIII), os Donatistas, Paulicianos (século VII ao século XVI), os Valdenses (século V ao século XVI), dentre outros.
No século XIV surge outro grupo de cristãos chamados de anabatistas (ou rebatizadores), pois defendiam que a Bíblia ensinava o batismo dos crentes por imersão depois da conversão.
É importante informar que esse grupo não escolheu este nome, ele foi dado por seus inimigos. Os anabatistas defendiam as doutrinas dos apóstolos, as quais eram contrárias à Igreja Romana, por isso, foram grandemente perseguidos não apenas pela igreja católica, mas, também, pela igreja protestante.
Muitos foram queimados vivos, outros afogados. Mais tarde, líderes da Reforma também os perseguiam frequentemente. Embora não haja nenhum elo direto entre esses primeiros grupos, sem dúvida esses anabatistas foram os “precursores” dos batistas.

2 O surgimento dos Batistas
O nome batista deriva do movimento Anabatista, que existia já antes e durante o período da reforma. O termo “anabatista” significa aquele que rebatiza. Este grupo se recusava a aceitar o batismo infantil. É esta a origem do nome atual de “batista”.
As primeiras igrejas Anabatistas a serem chamadas batistas, de acordo com historiadores, foram as igrejas desse nome na Inglaterra e na Holanda no século dezessete. Um ponto importante em relação à origem do nome batista, é que estes não receberam o nome de algum líder humano, como no caso de muitas denominações, porque o movimento não foi fundada, como denominação, por um líder terreno.
Embora o termo, batista, encontre-se na Bíblia referindo-se a João Batista (Mateus 3.1), os batistas não reivindicam essa origem para o seu nome. Uma pessoa que se intitula BATISTA fá-lo porque é membro de uma igreja batista.
Em 1611, um pequeno grupo de pessoas profundamente religiosas deixaram a Inglaterra por causa da igreja oficial. Foram para a Holanda e, sob a liderança de um certo João Smyth, organizaram a primeira igreja “batista”. Muitos desse grupo retornaram à Inglaterra e logo as igrejas batistas começaram a surgir por toda a Inglaterra. Foram perseguidos e caçados, mas aumentaram em número. Na América, a primeira igreja batista foi organizada por Roger Williams, em Providence, Rhode Island, em 1639, porque os puritanos da Nova Inglaterra o expulsaram.
O termo “batista” poderia com propriedade ser considerado sinônimo de cristão bíblico. Os batistas têm procurado moldar suas doutrinas e práticas no padrão das igrejas do Novo Testamento. [...] “A Bíblia como regra de fé e prática”. É verdade que há alguns que levam o nome de batistas hoje em dia, que não sustentam os princípios distintivos dos batistas e realmente não são batistas
Para dizer a verdade, a primeira vez em que esse termo, batista, ficou registrado na história, foi em 1644 na Inglaterra. Esse nome não foi de escolha própria, mas foi dado pelos seus oponentes. O motivo foi a sua posição única na prática da imersão apenas para os crentes. Contudo, eles defendiam outras características bíblicas, mas essa se tornou notável naquele tempo. Não há nenhum organizador ou originador dos batistas. Eles não têm uma declaração de fé. Uma igreja batista é um grupo de crentes que considera a Bíblia como sua única fonte de autoridade e Jesus Cristo como o cabaça da igreja.

3 Os Batistas Regulares
A igreja Batista Regular é uma denominação cristã evangélica, de orientação batista mais conservadora e fundamentalista. A denominação, ou movimento como costumam chamar, foi fundada em 1932 quando foi organizada a General Association of Regular Baptist Churches (GARBC) por batistas que se separaram da Convenção Batista do Norte, dos Estados Unidos, liderados por Howard C. Fulton. A separação deu-se devido à discordância ao liberalismo teológico que estava surgindo e minou as bases de todas as denominações desse país.
No Brasil, o movimento chegou à região norte em 1935 e 1936 com os missionários William A. Ross e Edward Guy McLain respectivamente. MacLain ao chegar ao Brasil se instalou em Juazeiro do Norte/Ce, onde se deu início à 1ª Igreja Batista Regular do Brasil. E, no Nordeste, através dos missionários Carleton e Adelaide Mateus em 1932, na cidade de São José de Mipibu no estado do Rio Grande do Norte.
A sua doutrina é bem mais conservadora do que a de outros batistas, pois são fundamentalistas e separatistas. Dependendo da congregação, pode variar em relação ao calvinismo, ou ao arminianismo, ou nenhum dos dois. Entretanto, os calvinistas representam o pensamento dominante do movimento. São pré-milenistas dispensacionalistas e, tenazmente, rejeitam o pentecostalismo e qualquer de suas expressões.
Hoje conta com mais de 700 congregações, 5 seminários, uma editora e vários acampamentos. Com destaque de sua presença marcante, quanto ao restante do país, os campos do Rio Grande do Norte, Ceará São Paulo.

A) Organização
Os batistas regulares preservam o princípio histórico dos batistas quanto a autonomia da igreja local. Estas igrejas reúnem-se para comunhão através de associações estaduais, e estas representam-se nacionalmente por meio da Associação de Igrejas Batistas Regulares do Brasil (AIBREB).
Como expressão de um movimento, esse grupo considera que para ser uma igreja batista regular não é necessário estar ligado a qualquer associação, desde que mantenham os distintivos históricos dos batistas, sejam conservadoras, fundamentalistas, e preservem a mesma doutrina e prática. Entretanto, qualquer igreja só pode associar-se a AIBREB se estiver ligada a uma das associações estaduais.

B) Fundamentalismo
Apesar do desgaste do termo na modernidade, propagado pela mídia devido ao terrorismo islâmico, eles insistem em mantê-lo considerando outros movimentos absolutistas e totalitários como pseudo-fundamentalismo ou neofundamentalismo.
Por fundamentalistas eles simplesmente querem dizer que creem em:
·         A inspiração verbal e plenária das Escrituras.
·         O nascimento virginal de Cristo.
·         A crença no sobrenatural, ou seja, nos milagres da Bíblia.
·         A morte vicária e substitucionária de Jesus.
·         O seu retorno pessoal e iminente.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O que é predestinação?

O tema predestinação tem sido discutido no meio cristão não há pouco tempo, mas em todo o transcorrer da história da igreja. No seu sentido mais amplo o termo predestinação é o ato ou efeito de predestinar, de determinar o destino (de alguém).

Ao falarmos que o ser humano é predestinado ou para o céu ou para o inferno. Então, deduzimos que toda a humanidade, após o pecado de Adão, é predestinada ao lago de fogo. Pois, a pessoa ao não entregar a sua vida ao Senhor Jesus como seu salvador pessoal, não experimentando um novo nascimento (Jo 3.3b), já está condenada, passando por um processo natural da vida que o leva juízo eterno. A pessoa nasce, cresce, reproduz, morre e é julgada ao inferno. Afirmamos isso porque o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Essa morte é a separação eterna de Deus. Entretanto é a pessoa que escolhe em ir para o inferno. O Espírito Santo convence, mas não força ninguém.

O pior de tudo é as pessoas não sabem que o inferno com todos os seres neles contidos, os demônios e os seres humanos, de acordo com as Escrituras será lançado no Lago de Fogo, onde o fogo deste lago não se apaga e o germe não morre. A pessoa vai passar por uma eternidade em tormento, pois cometeu o único pecado que não tem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo. Este pecado que se refere ao não reconhecimento e a não aceitação da obra salvífica de Jesus Cristo como Unigênito de Deus, que se deu em resgate da humanidade. O Senhor e salvador, o único Deus.    

Deus sabendo dessa triste realidade da humanidade, por intermédio se seu Filho Unigênito interveio nesta predestinação, mudando a sorte deste homem, dando a possibilidade de ser salvo. Mas essa salvação só pode acontecer se este homem deixar Deus agir em sua vida. É necessário que da parte do homem haja um arrependimento sincero, um arrependimento sem fingimento e entregar a sua vida a Deus, fazendo morrer a sua velha natureza de pecado. Pois o Senhor só age se a pessoa permitir. Esta ação salvífica de Deus para com o homem agora o predestina ao céu. De uma predestinação para a morte passamos para uma predestinação para a vida.

É necessário salientar, entretanto, que Deus não escolhe umas pessoas para o céu e outras para o inferno. O que ocorre é que a pessoa decide se  quer ir para um ou para outro lugar, pois toda escolha há uma consequência. A pessoa ao escolher viver a vida do jeito que está, não mudando uma vírgula, a consequência desta escolha é o inferno. Por outro lado, se a pessoa aceita hoje a Jesus Cristo como senhor e salvador de sua vida ela está participando do plano que foi elaborado antes da fundação do mundo (ef 1.4,5).

Utilizando as palavras do pastor Silas Malafaia "Somos predestinados por Deus para a salvação porque somos parte da igreja e não somos parte da igreja porque somos predestinados individualmente". Qualquer um que quiser escolher a cristo estará predestinado a ir ao céu, qualquer um que quiser viver o curso deste mundo estará predestinado ao inferno, ou seja um pré destino, não um destino definido antes da pessoa nascer. A pessoa faz o seu destino.


“Por que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. [...] Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanecerá.” (João 3.16,36).

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A Natureza da Pregação Expositiva

Autor: Alistair Begg

Disponível em: Ministério Fiel

04 de Junho de 2014 - Igreja e Ministério

Nenhuma consideração quanto à natureza da pregação expositiva seria completa sem nos referirmos à cena impressionante relatada em Neemias 8.
O senso de expectativa entre aquelas pessoas era quase palpável. Seria errado ansiarmos que nosso povo se congregue para esperar pela pregação da Palavra com a mesma paixão e fome?
Esse senso de expectativa intenso está ligado inevitavelmente a um conceito elevado das Escrituras. Há uma diferença tremenda entre a congregação que se reúne em antecipação de um monólogo sobre questões bíblicas, proferido por um colega amável, e a congregação que se reúne na expectativa de que, se a Palavra de Deus é verdadeiramente pregada, a voz de Deus é realmente ouvida. Calvino expressou isto em seu comentário sobre Efésios: “É certo que, se vamos à igreja, não ouvimos um simples mortal falando, mas devemos sentir (até por seu poder secreto) que Deus está falando à nossa alma, que ele é o Mestre. Ele nos toca de tal modo que a voz humana entra em nós e nos beneficia para que sejamos fortalecidos e nutridos por ela. Deus nos chama a si como se tivesse seus lábios abertos, e o vemos ali em pessoa” (Ephesians [Edinburgh, Carlisle, Pa.: Banner of Truth, 1973], p. 42).
Em determinada ocasião, um visitante que foi à Gilcomston South Church, em Aberdeen, enquanto cumprimentava o ministro William Still, comentou: “Mas você não pregou”. Quando o pastor perguntou o que ele queria dizer, o homem respondeu: “Você apenas pegou um texto da Bíblia e explicou o que ele significa”. William Still respondeu: “Irmão, isso é pregação!”
William Still e outros semelhantes estão apenas seguindo o padrão da pregação expositiva estabelecido por Esdras e seus colegas. Aqueles homens piedosos leram o Livro de Deus e o explicaram; e o fizeram de uma maneira que as pessoas entenderam as implicações.
Como devemos fazer isto? Quais são os princípios-chave da pregação expositiva?
Começa com o Texto
A pregação expositiva sempre começa com o texto da Escritura.
Isso não significa que todo sermão começará com a frase: “Por favor, abram sua Bíblia em....” Mas significa realmente que, até quando começamos por referir-nos a algum evento atual ou à letra de um cântico contemporâneo, é o texto da Escritura que estabelece o curso do sermão. O expositor da Bíblia não começa com uma ideia ou uma grande ilustração e, depois, procura uma passagem apropriada. Em vez disso, ele começa com a própria Escritura e permite os versículos em consideração estabelecerem e estruturarem o conteúdo do sermão. Esta é a razão por que, como disse John Stott, “é nossa convicção que toda a pregação cristã verdadeira é pregação expositiva” (Between Two Worlds [Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1982], p. 125). Estamos no caminho errado se pensamos que a pregação expositiva é meramente um estilo de pregação escolhido de uma lista (tópica, devocional, evangelística, textual, apologética, profética, expositiva).
Roy Clements disse acertadamente: “A pregação expositiva não é uma questão de estilo, de maneira alguma. De fato, o passo determinante que decide se um sermão será expositivo ou não acontece, em minha opinião, antes que uma única palavra tenha sido escrita ou falada. Antes e acima de tudo, o adjetivo ‘expositiva’ descreve o método pelo qual o pregador decide o que dizer, não como dizê-lo” (The Cambridge Papers, setembro de 1998).
A exposição não é apenas proferir comentários sobre uma passagem da Escritura. Também não é uma sucessão de estudos de palavra levemente unificados por algumas poucas ilustrações. Não devemos sequer pensar na pregação expositiva em termos da descoberta e da declaração da doutrina central encontrada na passagem. Podemos fazer tudo isso sem realizarmos exposição bíblica nos termos da definição que estamos construindo.
Permanece entre dois mundos
A pregação expositiva procura fundir os horizontes do texto bíblico e do mundo contemporâneo.
Este discernimento é desenvolvido por John Stott em seu livro Between Two Worlds: The Art of Preaching in the Twentieth Century (Entre Dois Mundo: A Arte de Pregar no Século XX). Ele argumenta corretamente que é possível alguém pregar de maneira exegética e, apesar disso, falhar em responder o “e daí?” na mente do ouvinte. Os ouvintes de Esdras, por exemplo, jamais começariam a construção das cabanas se ele tivesse falhado em estabelecer a conexão entre o texto e os tempos em que viviam. A verdadeira exposição precisa ter alguma dimensão profética que deixa o ouvinte sem dúvida de que as coisas que ele acabou de ouvir são uma mensagem viva de Deus e cria nele, pelo menos, uma suspeita íntima de que o Autor o conhece.
Se assumimos o desafio de ensinar seriamente a Bíblia, temos de prestar atenção à advertência de um pregador escocês do século XX, o qual disse que é pura negligência lançar sobre as pessoas grandes porções de fraseologia religiosa de uma era passada sem ajudá-las a retraduzir a mensagem para a sua própria experiência. Isso é tarefa do pregador e não dos ouvintes, ele argumentou.
A redescoberta das obras teológicas dos puritanos é algo pelo que todos somos gratos; porém, ao mesmo tempo, a proliferação de homens jovens cuja entrega da mensagem no púlpito está mais ligada ao século XVII do que ao século XXI é causa de preocupação. No entanto, o problema é muito mais significativo no extremo oposto, quando os sermões são fundamentados abertamente nos assuntos e interesses da cultura contemporânea. Esse tipo de pregação tende a estabelecer muito rapidamente o contato com o ouvinte, mas sua conexão com a Bíblia é tão leve que falha em estabelecer a conexão entre o mundo da Bíblia e o mundo pessoal do ouvinte. A tarefa do pregador consiste em declarar o que Deus disse, explicar o significado e estabelecer as implicações práticas, para que ninguém ignore a importância do que Deus disse.
Donald Grey Barnhouse descrevia frequentemente essa tarefa como “a arte de explicar o texto da Palavra de Deus, usando toda a experiência de vida e aprendendo a ilustrar a exposição”.
Mostra Relevância
A pregação expositiva encoraja o ouvinte a entender por que uma epístola dirigida à igreja em Corinto, no século I, é importante para uma igreja em Cleveland, no século XXI.
É importante que o ouvinte não saia iludido pela maneira como o pregador lida com o texto. O pregador tem de aprender não somente a fundir os horizontes em seu ensino, mas também a fazer isso de uma maneira que as pessoas aprendam, pelo exemplo, como integrar a Bíblia à sua própria experiência. Os ouvintes enfrentam os perigos gêmeos de supor ou que as coisas recém-ouvidas são totalmente não relacionadas à situação em que vivem ou que tais coisas são imediatamente aplicáveis, ou seja, que “são apenas para eles”.
1. Pensar que a mensagem é irrelevante. O pregador precisa trabalhar com afinco para garantir não somente que fez um bom trabalho de exegese, ajudando o ouvinte a entender o significado do texto, mas também labutar para estabelecer a relevância do texto para o mundo pessoal dos ouvintes. Por exemplo, ao abordar a doutrina da encarnação, ele não pode se contentar apenas em ter certeza de que seus ouvintes assimilaram a instrução, mas ressaltará as implicações do grande princípio da “missão encarnacional”. Para estabelecer essa ligação, o pregador pode dizer algo assim: “O ministério de Jesus foi um ministério de envolvimento e não de afastamento; e, por isso, temos de encarar o fato de que não podemos ministrar a um mundo perdido se não estivermos nele”.
2. Pensar que a mensagem é imediatamente relevante. O segundo perigo é bem real. Aqui, o ouvinte quer se mover imediatamente para a aplicação. Ficará ansioso por saber “o que isto significa para mim”. Em muitos casos, essa pressa para tornar o texto pessoal será destituída da necessidade de entender o que a passagem significa em seu contexto original.
Não conheço ninguém melhor do que Dick Lucas para ajudar os pastores a lidarem com este problema. Jamais esquecerá a experiência aquele dentre nós que, ao ser avaliado por seus colegas, ouvir a afirmação de Dick: “Vamos lá, meu rapaz, isso não é certamente o que o apóstolo quer dizer!” Sou muito grato pelo fato de que ele me tornou cauteloso de tentar aplicar o texto à Igreja em Cleveland, antes de descobrir o propósito de Paulo em se dirigir à igreja na Corinto do século I.
Por exemplo, é possível removermos um texto como Hebreus 13.8 (“Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”) do contexto que o cerca e fazermos um trabalho adequado de falar sobre os benefícios, para o crente, de um Jesus que é imutável. Mas, se queremos que nossos ouvintes aprendam como interpretar a Bíblia, temos de realizar o trabalho árduo de entender por que o versículo 8 aparece entre os versículos 7 e 9. Se fizermos esse trabalho, acharemos necessário explicar nosso versículo não apenas em separado ou em termos de seu contexto imediato, mas também no contexto mais amplo do livro. Reconheceremos que toda aplicação que não se focaliza no sacerdócio permanente de Cristo não somente erra quanto ao ensino do texto, mas também presta um desserviço às pessoas que estão aprendendo conosco.
O expositor precisa estar sob o controle da Escritura. Este é o terceiro dentre os três princípios para a exposição fiel oferecidos pelo Diretório de Westminster para Adoração Pública:
1. O assunto que pregamos deve ser verdadeiro, ou seja, à luz das doutrinas gerais da Escritura.
2. Deve ser a verdade contida no texto ou passagem que estamos expondo.
3. Deve ser a verdade pregada sob o controle do resto da Escritura.
Que mudança radical aconteceria nos púlpitos ao redor do mundo se tomássemos estes três princípios com seriedade. Seríamos forçados a garantir que o púlpito não seja um lugar de teorização e especulação, de proferir slogans e de manipulação, de contar histórias e promover emocionalismo. Numa época anterior, na Escócia, quando se fizeram grandes esforços para permanecer nestes princípios, o impacto foi óbvio. Na verdade, o conhecimento da Bíblia possuído por nossas congregações, em meio ao nosso suposto entendimento e iluminação, não tem comparação com o daqueles escoceses simples da geração passada, que aprendiam desde a infância a seguir o ensino do pregador a partir da Bíblia. Embora isso tenha sido bem antes de meu tempo, o benefício prolongou-se, e ainda posso recordar que a mão de meu pai tremia levemente quando segurava a Bíblia e seu dedo guiava meu olhar ao longo da página. Quão magnífico é quando Deus ministra ao nosso coração por meio do poder da pregação expositiva!
Tradução: Francisco Ferreira
Fonte: Trecho do Livro Pregando para a Glória de Deus, futuro lançamento da Editora Fiel.
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Alistair Begg
Alistair Begg
Alistair Begg serviu duas igrejas na Escócia, sua terra natal, antes de responder, em 1983, ao chamado para se tornar o pastor principal na Parkside Church, em Cleveland (Ohio). Graduado pela London School of Theology, Begg já escreveu vários livros. Além disso, é ouvido diariamente no programa nacional de rádio Truth for Life. Ele e sua esposa, Susan, se casaram em 1975 e têm três filhos adultos.